#ThighReading: linhas com uma história

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Muitas hashtags online que fazem referência ao Body-Positive costumam dizer nada com nada. Ou são compreendidas do jeito errado ou acabam banalizadas. São poucas que colocaria em um potinho, e a mais recente é a #ThighReading – algo como (tirando o gerúndio) "leitura de coxa". 

Tudo começou com a user @princess_labia, que compartilhou uma foto da sua coxa com estrias, afirmando que a leitura dela é melhor que a leitura de mão. O intuito? Encorajar pessoas a compartilhar imagens sem nenhum tipo de tratamento (como os filtros do Insta) dessa região. 

Ela disse ao site Mashable que sentiu o ato empoderador, antes mesmo de cogitar que outras mulheres participariam. E várias participaram e continuam a participar mostrando suas linhas que possuem uma história – cicatrizes, estrias, queimaduras, celulite, cortes. Um ato com o intuito de refutar a ideia de que todas as coxas são perfeitas. 


Em um mundo em que capas de revistas são descaradamente banhadas no Photoshop, está cada vez mais difícil garotas jovens encontrarem modelos adequados para se inspirarem. O tratamento excessivo da imagem não gera identificação, com nenhuma pessoa, em qualquer idade. 

Como ter inspirações sendo que as celebridades, que deveriam ser exemplos, sofrem upgrades frequentes até o último fio de cabelo? E as fitness que só se preocupam com a aparência perfeita?

Por isso tags como #ThighReading são muito bem-vindas, porque permitem que meninas e mulheres digam: não há corpo perfeito. Não só isso, elas enxergam, no nu e no cru, que há as ditas imperfeições não só em seu corpo, mas no de outras também. 

De fato, não há corpo perfeito. Se na minha época – anos 90 – já era difícil ter identificação com uma celebridade, ou uma amiga, sem correr o risco de desenvolver um transtorno alimentar, penso o quão difícil isso é atualmente. Porque nenhuma capa de revista é verdadeira. No século 21, o tapinha na foto está cada vez pior, ao ponto de afetar até mesmo o rosto de uma atriz. 

Até na praia celebridades passam pelo tratamento depois que são fotografadas, que esconde seus "defeitos" nos quadris e nas coxas. Como se fosse um crime mostrar imperfeições. 

Do ponto de vista da publicidade é, já que ela é a grande causadora das nossas insatisfações pessoais e corporais. Mas que mal tem mostrar um corpo do jeito que ele é? Nenhum, certo?

Não podemos ser o que não podemos ver. Precisamos de exemplos, seja uma celebridade ou uma vizinha. Por faltar exemplos, infelizmente muitas meninas e mulheres não se sentem confortáveis na própria pele. Isso muda quando outras se mostram, como são. Sem retoques. 

Não há nada de errado com suas curvas, ou a falta delas, ou suas linhas. 

Tenho estrias nas laterais dos meus quadris, mas as mais marcantes são nos meus seios por conta do efeito sanfona acarretado pelo meu distúrbio alimentar. Será que dá para postar sem o Instagram me barrar? Adoraria mostrar minhas linhas também, mas, pelo menos, vocês sabem que elas existem. 

Essa garota teve uma iniciativa incrível em se expor, inspirando outras a fazerem o mesmo. Saírem das bolhas para se celebrarem. Não é uma questão de querer se aparecer online, mas de autoaceitação – que já existe ou está em constante trabalho na vida da menina ou da mulher. 

Se há uma tag deturpada o tempo todo é #BodyPositive (e seus derivados). Ok, é bacana mostrar que seu corpo está em dia, obviamente que isso gerará comoção e inspiração, mas não quando o indicativo maior é autoafirmação perante o outro. Por likes e shares. O ato de viver de aparência, tendo a pachorra de esconder dobrinhas, maquiando estrias e celulites. Como se o mundo não fosse aceitar alguém por várias estrias. 

É real: há as Feras, mas cabe a nós deixá-las ou não definirem quem somos. 

Acho uó uma pessoa usando tag de mensagem social, inserindo na legenda da foto, para se aparecer aonde não é o momento (a foto com a tag cai na busca, por vezes, por motivos de likes e de caça seguidores).

Me frustra ver até Thigh Reading em meio a uns sem noção que postam selfie ou o quanto ainda precisam malhar para o quadril ficar mais firme. Não é o momento e seria bom uma dose de pesquisa. Vamos ser mais informados e menos aparecidos, que tal? 

Body-Positive tem muito haver com aceitação de si para si mesmo e não afirmação de si para o outro. Fica a dica!

Vocês podem monitorar #ThighReading via Twitter e Instagram. 

Via: Mashable

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