Introdução 2 | A Bela e as Feras

12:47



Se você chegou neste post, é porque soube da existência deste blog agora mesmo. 

No mês de julho, escrevi um texto de boas-vindas (que vocês podem ler aqui), explicando os motivos de ter criado essa nova casa chamada A Bela e as Feras e os motivos que me fizeram colocar essa ideia para funcionar. Dentre todas as coisas que disse, destaco a menção de que este blog não passaria de um projeto piloto, pois não sabia se realmente seguiria adiante.

Continuo a não saber, mas tenho muita vontade. Este blog está aqui, abandonado há quase três meses porque quero prosseguir, mas não sei bem como. Isso é muita coisa, pois sou daquelas que ama deletar projetos sem ao menos saber até aonde eles irão. Essa é uma dificuldade que me aborda com projetos novos e esqueço que só saberei o que almejo a partir do momento que colocar algo em prática. O maior exemplo é o Random Girl, que mudou muito com o passar dos anos. 

Nunca poderia ter criado este blog se não fosse honesta. De nada adiantaria ter este espaço se vetasse partes da minha história. A princípio, A Bela e as Feras brotou na minha cabeça com o intuito de pontuar meu ativismo corporal – e ainda é –, mas sei que posso ir além. Porque a única coisa que tenho certeza é que quero transformar. E minha ferramenta de transformação é a escrita. 

Escrevi que este espaço é de uma Bela, representando outras Belas, que luta/lutou contra várias Feras. As Feras seriam pessoas/situações que desencadeiam, por exemplo, os transtornos alimentares. Um assunto que é tabu, bem como depressão e suicídio. Há muitas Feras que ainda me atormentam, outras consegui chutar para fora da minha vida, e é sobre essas outras que gostaria de escrever por ter vivido rodeada por elas ou por tê-las visto na história de alguém. 

O problema de não ter levado essa ideia adiante no decorrer de agosto e de setembro é porque tenho uma pequena grande dificuldade: falar minhas opiniões sobre assuntos que considero urgentes. Até faço, mas escondido. Demora muito, mas sempre que posso salto a linha tênue. Ultimamente, esse não tão mais desafio tem me rendido frutos positivos e pensei por que não ter um lugar só para isso?  

Voltei. Voltei por causa da minha eterna necessidade de contar histórias. 

Rachei meu teto de vidro com relação a algumas coisas do passado quando comecei a procurar/escrever textos para alimentar este blog. Queria tê-lo lançado em julho, mas, acreditem se quiser, estava deveras envergonhada. Senti-me de novo diante de um diário e tive vários na adolescência. Quando escrevi minha história com um distúrbio alimentar e apertei o publicar, foi outra chance de me curar e de perceber que muitas coisas dentro de mim mudaram. 

De novo, percebi que para manter este blog, precisarei ser honesta sobre muitas coisas. Não é uma dificuldade, como muitos sabem. Ter vivido muitas coisas ruins, que me iluminaram no final, me norteou para várias causas que também admirava em segredo.

Na minha mente, jamais defenderia uma causa como o I Am That Girl se não tivesse vivido certos momentos. Na entrevista antes de ter o Capítulo, afirmei que minha irmã era a maior causa de pertencer ao movimento, porque passei por tudo que ela passou e não queria vê-la rumar para o mesmo caminho. 

O mesmo vale para depressão e para suicídio, pautas tão tabu quanto transtornos alimentares, porque, infelizmente, vi acontecer com alguém. 

Com o passar deste ano, percebi – e pode ser não concordante entre muitas pessoas – que ativismo tem muito do relacionar. Ele precisa ser arraigado em você. Despertar algo. Ter a ver com o que você quer transformar. É muito bom encontrar o resto da minha voz e foi no momento certo. 

Só sei que tenho necessidade de abrir minha bagagem e mostrar as coisas que estão escondidas dentro dela. Por isso criei A Bela e as Feras, porque minha história importa tanto quanto outras. Bem como conversa e conscientização. Inclusive, mudar a cultura para garotas, algo que me mata todos os dias por saber que a mídia aflige demais meninas e mulheres. Talvez, em maior impacto em comparação aos anos 90 – época que transcorreu minha transição para a vida adulta. 

Disse no post de introdução que não sou psicóloga. Sou jornalista pelo diploma e contadora de histórias pela alma. Vale o adendo de dizer que não sou dona da verdade. Tenham isso em mente

Ao ver A Bela e as Feras ganhar forma, notei que não preciso ter vergonha de nada do que me aconteceu, pois tudo, em grande maioria, me tornou uma pessoa melhor. E não posso deixar essas histórias na bagagem. Elas precisam alcançar outras pessoas.

E sou uma pessoa de ação. E é por isso que este blog está aqui. 

A "pausa" de quase três meses serviu para refletir sobre várias coisas, especialmente sobre o que abordaria nesta nova casinha. Por mais que eu tenha o Random Girl, lá já possui uma vida própria e uma identidade. Aqui, quero que o outro timbre da minha voz seja ouvido.

Pensar no A Bela e as Feras foi tão fácil. Uma ideia que ganhou vida em menos de uma semana. E isso para mim quer dizer muita coisa, pois sempre tenho dificuldade de pensar em nomes, linha editorial e afins. Simplesmente porque não há pressão. Esse projeto piloto é um experimento do bem, porque é uma necessidade minha e uma necessidade que pode ser de outras. 

Só chegou a hora de ter um espaço para essa ideia.

Chegou a hora de transformar mais um pouco.

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